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Em entrevista, Tânia Montoro fala sobre homenagem recebida em Barcelona

Com mais de 35 anos de experiência em cinema e linguagem, Tânia Montoro, professora da Universidade de Brasília e associada da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB), foi homenageada pela Associação de Pesquisadores e Estudantes Brasileiros na Catalunha  (APEC) com a Mostra de Cinema Brasileiro Tânia Montoro. A iniciativa é da APEC e do Centro Cultural do Brasil em Barcelona, com o apoio do Consulado-geral do Brasil em Barcelona e da Escola Oficial de Idiomas Barcelona Drassanes.

Montoro é doutora em Comunicação Audiovisual e Publicidade pela Universidade Autônoma de Barcelona e pós doutora em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pelo Deutsch Film Institute de Amsterdam. Em 2006, foi condecorada com o título de cidadã honorária de Brasília pelo conjunto de sua obra em defesa da mulher, cultura e meio-ambiente. Atualmente, coordena a linha de pesquisa em imagem, som e escrita do mestrado e doutorado em Comunicação da UnB.

Nesta entrevista, Tânia comenta sobre o filme “Hollywood do Cerrado”, que será exibido nesta sexta-feira (8/6), o último dia da Mostra, e sobre seu intenso trabalho pela difusão do cinema no Brasil.

Qual a origem do filme Hollywood no Cerrado, que encerra a Mostra este ano?
Hollywood no Cerrado é um filme que mostra a aventura de viver no cerrado brasileiro no início do século passado. Buscamos mostrar como havia todo um movimento de fazer de Brasília a capital, e para isso falamos das aventuras de mulheres como Janet Gaynor, Mary Martin e Joan Lowell, premiadas atrizes do cinema de Hollywood que, se aventurando, vieram parar em Goiás, onde fizeram casas, viveram aqui por alguns tempos, ensaiaram para seus filmes. Outra aventura foi a das primeiras mulheres a percorrer, numa Kombi, a Transamazônica. Queríamos mostrar como essas mulheres foram aventureiras, enquanto imigrantes, enquanto atrizes, enquanto pessoas que trouxeram a cultura para o centro oeste brasileiro, quase que uma pré-história da capital.

Como foi a recepção do filme?
Hollywood no Cerrado é um filme do cinema, para o cinema e para quem gosta de cinema. Ele foi muito bem recebido. Ganhou como melhor filme na 35ª Mostra de Cinema de São Paulo, ganhou o primeiro lugar no 11º REcine – o Festival Internacional de Cinema de Arquivo, foi exibido em todos os cinemas do Sesc, pelo Brasil todo. Ele é resultado de uma pesquisa de linguagem cinematográfica de três professores que viveram para e pelo cinema. Eu, Armando Bulcão e David Pennington fizemos um filme em forma de almanaque, com intensa pesquisa de som e de linguagem. Foram seis anos só de pesquisa, feita também pelos professores Paulo Bertran, Teresa Negrão e Vcitor Leonardi. O resultado foi uma mistura do documentário com ficção, um filme que trabalha com metalinguagem: dentro dele tem mais de 60 trechos de outros filmes, numa montagem dinâmica e diferente.

Como foi receber essa homenagem da APEC?
Foi uma surpresa eu ganhar essa mostra em Barcelona.  Fui militante da APEC e uma das secretárias em 2001, ainda quando fazia meu doutorado. É uma entidade com mais de 30 anos de existência, que acolhe pesquisadores de toda a Catalunha e de toda a Espanha, fazendo seminários, trocando material, trocando livros, trocando as dificuldades, ajudando, na verdade, nessa formação dos professores. A mostra está passando em vários lugares da cidade de Barcelona e tem tido um ótimo público. Para o encerramento, fui convidada a palestrar sobre Hollywood no Cerrrado e estou levando um artigo sobre o protagonismo da mulher madura no cinema brasileiro atual.

Como tem sido a experiência na curadoria do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro?
O Festival de Brasília do Cinema nasce dentro da UnB e é importante que a UnB sempre participe dele, que sempre seja protagonista e contemporânea dele. São quase 20 anos que trabalho com o intuito de levar ao Festival uma discussão acadêmica sobre cinema. Fiz vários seminários, para que  o cinema fosse pensado não como entretenimento, mas como uma linguagem completa. No Festival também é realizada a Mostra Brasília, para que os cineastas da cidade tenham a oportunidade de mostrar seus filmes e promover debates dentro do Festival, que ano passado fez 50 anos.

Sua trajetória no cinema e no ensino na UnB notoriamente contribuíram para a consolidação da área. Poderia comentar sua perspectiva desses anos de vivência do cinema?
Eu acho que o cinema é inclusivo. Nesses meus 40 anos de Universidade de Brasília, porque eu também fui aluna da UnB, meus cursos de cinema sempre foram muito abertos: para o pessoal da educação, da antropologia, da geografia, da história.O protagonismo é a mola mestre das minhas pesquisas, que desenvolvo há muito tempo junto à Universidade Autônoma de Barcelona (UAB), onde eu fiz o meu doutorado. Na UnB, o curso de cinema foi sendo aperfeiçoado, sofreu na época de chumbo e passou por muitas transformações. Hoje temos muitos cineastas egressos premiados. Com certeza o curso colaborou para a formação e para a divulgação do cinema do Centro-Oeste.

 

ATENÇÃO – As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seus conteúdos. Crédito para textos: Carolina Fasolo ASC/ADUnB.

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