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Dobra índice que mede relevância científica das pesquisas da UnB

Fonte: Correio Braziliense por Marlene Gomes

A produção científica da Universidade de Brasília (UnB) está entre as de melhor qualidade do Brasil. Os artigos publicados por seus pesquisadores foram citados 45% a mais do que a média de outras cinco instituições de ensino superior do país, entre elas a Universidade de São Paulo (USP), em 2016. De 2010 a 2016, o impacto das citações de pesquisadores vinculados à UnB aumentou mais de 100%.

O crescimento na quantidade e na qualidade dos artigos de pesquisadores da universidade foi constatado com base no mapeamento feito pelo SciVal, uma ferramenta de análise de indicadores de produção científica de instituições por país, região e autores. A plataforma permite a comparação com mais de 8,5 mil instituições de todo o mundo.

A qualidade da produção científica da UnB ficou evidente em 2016, ano em que foi consolidada a pesquisa. A UnB teve o melhor desempenho do Brasil no quesito, ficando na primeira posição na comparação entre cinco renomadas instituições do país – as universidades Estadual de Campinas, Federal de Minas Gerais (UFMG), Federal de Pernambuco (UFPE) e Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), além da USP. A maior citação de artigos foi concentrada nas áreas de medicina; bioquímica, genética e biologia molecular; e farmacologia, toxicologia e farmacêutica.

Qualidade e quantidade da produção científica

O número de citações a um artigo é um importante indicador de como anda a produção científica dos pesquisadores, tanto em quantidade como em qualidade. “São indicadores importantes. Quanto mais uma universidade tem artigos publicados, mais chance tem que o material seja interessante, relevante, útil e citado”, explica Claudia Amorim, diretora de Pesquisa do Decanato de Pesquisa e Inovação da UnB.

No período de 2010 a 2016, houve, também, um aumento de 42% na produção científica da UnB. Somente em 2016, foram publicados 9.771 itens, de acordo com o indicador de produção científica (Scholarly Output). O mapeamento mostrou, também, que os artigos da universidade produzidos em colaboração internacional têm uma média de 10,6 citações por artigo, contra a média de 4,8, quando realizado somente a nível nacional, o que reflete a importância de parcerias internacionais.

O fato de o artigo ser feito em colaboração com empresas, corporações ou órgãos públicos também contribui para uma maior visibilidade do material. A pesquisa revelou que o número médio de citações passa para 67 quando realizados em colaboração com com esses parceiros. “Quando o professor trabalha em conjunto com o setor produtivo, o impacto de citações aumenta bastante, geralmente porque o tema tem uma relevância social muito grande e é de grande interesse para a sociedade”, analisa Claudia Amorim.

Os dados revelados pelo SciVal não surpreenderam o vice-retor da UnB, Enrique Huelva. Segundo ele, o mapeamento atesta o esforço que a universidade vem fazendo para garantir qualidade de ensino e revelam que a UnB goza de uma posição de destaque nacional e internacional. Huelva destacou ações realizadas desde 2008 que constatam a relação direta entre a produção científica e o aumento do número de docentes da universidade.

Entre os anos de 2009 e 2013, 577 professores ingressaram no quadro permanente da instituição, um aumento de 32%. No período entre 2013 e 2016, foram 185 docentes (8%). Mais de 90% com doutorado. Com forte atuação na pós-graduação, boa parte desses docentes entrou para o quadro da UnB na época do Programa de Expansão e Reestruturação das Universidades Federais (Reuni).

O vice-reitor argumenta que o mapeamento completo ajuda na identificação de demandas estratégicas e vai permitir a criação e implantação de sistemáticas institucionais, a fomentação da colaboração internacional, o reforço às áreas de pesquisas menos demandadas e a própria formulação de políticas públicas. Outro desafio da universidade é fazer com que os temas de interesse da sociedade sejam efetivamente transformados em inovações para atender necessidades da sociedade.

“O Plano de Internacionalização da UnB, recentemente aprovado, vai alavancar a colaboração dos pesquisadores da instituição com colegas de fora do país, contribuindo ainda mais para a inserção da universidade no âmbito internacional”, disse Enrique Huelva.

Entusiasmo com a pesquisa científica

Formado em fisioterapia pela Universidade Federal de São Carlos, com doutorado feito na USP, o professor Emerson Fachin Martins é pioneiro na Faculdade UnB Ceilândia (FCE). Apenas um ano após concluir o doutorado, em 2008, ele chegou ao câmpus para lecionar no curso de fisioterapia e participou da criação do Núcleo de Tecnologia Assistiva, Acessibilidade e Inovação (NTAAI) da universidade, um dos primeiros núcleos de excelência do tema reconhecido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Há uma década, revelou Emerson, o câmpus de Ceilândia estava nascendo e ele já vislumbrava um local de excelência, com grande potencial de pesquisa. Até 2013, no entanto, não existiam cursos de mestrado e de doutorado na unidade de Ceilândia. A produção científica era dos alunos de graduação. “Com a criação do mestrado e doutorado, começaram a chegar os alunos mais amadurecidos para fazer pesquisas”, disse.

Em 2014, o professor conseguiu fazer um curso de pós-doutorado na França. Voltou em 2015 com muito conhecimento, o entusiasmo renovado e uma parceria com o Instituto Nacional de Pesquisa em Informática e Automação (Inria, na sigla em francês), feita por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa do DF (FAP-DF). “A parceria impulsiona bastante a produtividade científica. Eles fazem o desenvolvimento robótico e nós somos responsáveis pela interface que treina a máquina junto aos pacientes”, explica o professor.

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