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Conselho de Direitos Humanos divulga pesquisa sobre violência de gênero na UnB

Foi lançado nesta quinta-feira (8/3), Dia Internacional da Mulher, o Conselho de Direitos Humanos da Universidade de Brasília (CDHUnB). Com a presença da reitora e presidente do Conselho, profa. Márcia Abrahão Moura, foram apresentados os resultados preliminares da pesquisa “Percepção da violência contra as mulheres no Campus Darcy Ribeiro”, do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher (Nepem).

Os dados são alarmantes: 70% das estudantes da UnB se sentem parcial ou totalmente vulneráveis a sofrer violência dentro do Campus. Apenas 2% se sentem seguras. Do total de entrevistadas, 96% disseram conhecer casos de violência contra a mulher dentro do Campus, e 55% consideram que se encontram em situação de maior vulnerabilidade do que estudantes de outras universidades. A pesquisa é orientada pela coordenadora do Nepem e professora do Departamento de Sociologia da UnB, Lourdes Bandeira e pelas estudantes Fernanda Mendes e Ismene Castro.

A apresentação chamou a atenção dos membros do Conselho, que se comprometeram a promover ações efetivas de combate à violência. “É assustador que 70% de nossas alunas se considerem parcial ou totalmente vulneráveis às situações de violência. Isso é gravíssimo. O Conselho tem que pautar, a curto prazo, já com os dados preliminares, ações concretas para interferir nesse cenário”, pontuou a profa. Nair Bicalho, coordenadora do Núcleo de Estudos Para a Paz e Direitos Humanos (NEP).

Maria Ivoneide de Lima Brito, ouvidora da UnB, disse que em 2017 foram recebidas pela Ouvidoria 1598 manifestações, das quais apenas nove referiam-se a situações de assédio. “É um dado muito aquém da realidade da Universidade. Temos o compromisso de avançarmos na questão da formação, inclusive dos servidores, sobre o que é a violência contra a mulher, o que são os Direitos Humanos e qual o papel da UnB e da Ouvidoria na garantia desses direitos”, pontuou.

OCORRÊNCIAS

Das agressões registradas, 38% ocorreram nas dependências do Campus e 34% no trajeto para a casa ou em paradas de ônibus. A lacuna na segurança pública foi apontada pelas pesquisadoras como um ponto passível de acompanhamento pela Universidade, com o desenvolvimento de iniciativas junto ao poder público no sentido de aprofundar as políticas de prevenção dentro do transporte público.

A reitora Márcia Abrahão assegurou que o Conselho “iniciará suas atividades com foco na execução das políticas de combate à violência contra a mulher”, e disse que os dados da pesquisa científica darão o suporte necessário para que essas estratégias sejam mais eficientes.

A profa. Elenita Nascimento, representante da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) no CDHUnB, ressaltou que os mecanismos de amparo às mulheres vítimas de violência na Universidade devem ser aprimorados. “É preocupante que 78% das estudantes não saibam a quais instâncias podem recorrer. Precisamos melhorar nosso acolhimento, trabalhar para que esses espaços sejam conhecidos e ampliados”, afirmou.

Outra preocupação é em relação à comunidade LGBT, que apresentou maior vulnerabilidade em comparação às mulheres heterossexuais. Enquanto 94% das estudantes que se declararam homo ou bissexuais sofreram violência, o percentual entre as heterossexuais foi de 31%. “Observar essa questão nos parece fundamental para que possamos desenvolver pesquisas para além da perspectiva heteronormativa”, considerou Ana Paula Antunes Martins, co-orientadora da pesquisa.

Maria Ivoneide de Lima Brito, ouvidora da UnB, disse que em 2017 foram recebidas pela Ouvidoria 1598 manifestações, das quais apenas nove referiam-se a situações de assédio. “É um dado muito aquém da realidade da Universidade. Temos o compromisso de avançarmos na questão da formação, inclusive dos servidores, sobre o que é a violência contra a mulher, o que são os Direitos Humanos e qual o papel da UnB e da Ouvidoria na garantia desses direitos”, pontuou.

HISTÓRICO

O Conselho foi instituído em agosto de 2017 com a atribuição de assegurar a promoção e a proteção dos direitos humanos no âmbito da Universidade. “Agora, a Universidade passa a ter um fórum único para pensar, de forma coordenada, as ações na área de Direitos Humanos. Lançamos o Conselho com uma pesquisa científica e é dessa maneira que trabalharemos, congregando todas as pesquisas para canalizar esforços e promover uma melhor relação dentro da comunidade acadêmica”, declarou a Reitora Márcia Abrahão.

Compõem o Conselho os decanos de Assuntos Comunitários (DAC), André Reis, a decana de Ensino de Graduação (DEG), Cláudia Garcia, e a decana de Extensão (DEX), Olgamir Amâncio, além da secretária adjunta de Políticas para Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos do Distrito Federal, Márcia de Alencar.

Também fazem parte a ADUnB, o Sindicato dos trabalhadores da Fundação da Universidade de Brasília (Sintfub), o Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães (DCE), a Diretoria da Diversidade (DIV/DAC), além de docentes de núcleos de pesquisa do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM) – como o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB) –, representantes da Faculdade de Educação (FE), do Instituto de Ciências Sociais (ICS), do Instituto de Psicologia (IP), da Faculdade de Direito (FD) e de cada um dos campi da UnB.

ATENÇÃO – As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seus conteúdos. Crédito para textos: Carolina Fasolo – ASC/ADUnB. Crédito para fotos: Carolina Fasolo – ASC/ADUnB.

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