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ADUnB participa da ‘Marcha pela Ciência’, no Congresso Nacional

A Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) participou, nesta quinta-feira (12/7), do evento “Marcha pela Ciência: o Presente e o Futuro do Setor de Ciência e Tecnologia no País”, realizado no Congresso Nacional com o apoio da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência (SBPC).

O evento, um movimento mundial em prol da Ciência e Tecnologia, acontece num momento dramático. O orçamento da União para o setor caiu de R$ 8,4 bilhões em 2014 para 2,7 bilhões em 2018. O presidente da SBPC, Ildeu Moreira, ressaltou a redução “drástica” dos recursos e apontou para a necessidade de mobilização pela revogação da Emenda Constitucional nº 95/2016 e o descontingenciamento dos recursos para Ciência e Tecnologia. “Temos que construir uma política de Estado para a ciência e tecnologia, fazer um movimento muito grande para a manutenção da educação pública e gratuita. O futuro do país depende disso”, disse Moreira.

Luis Antonio Pasquetti, presidente da ADUnB, comentou a conquista na votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias, que aprovou uma emenda para que a arrecadação própria das universidades não seja submetida ao teto de gastos. A proposta pode ter impacto de mais de R$ 1 bilhão para as instituições de ensino.

Pasquetti lembrou, no entanto, que é apenas um passo para a saída da crise vivenciada pelo setor. “Defendemos a ciência e tecnologia como um investimento, entendendo que o desenvolvimento nacional se concretiza a partir dele”, disse o professor, apontando a defasagem do Brasil em relação à países como China, Estados Unidos e Coreia do Sul – cuja meta de investimento do Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento é de 5%. “O Brasil está investindo apenas 1% e diminuindo esse valor. São vários os setores da economia brasileira que serão afetados no futuro em relação aos cortes feitos agora”, analisou Pasquetti.

Universidades Federais

Os participantes da Comissão também clamaram pela recomposição do orçamento das universidades federais, que respondem por mais da metade da produção científica nacional e estão ameaçadas pelos sucessivos cortes orçamentários. “Em 2017 recebemos 20% a menos de custeio do que tínhamos há quatro anos atrás e 80% a menos dos recursos de investimento”, relatou Emmanuel Tourinho, presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES). “Não haverá a ciência de que nós precisamos se permitirmos que essas universidades sejam desmontadas”, disse Tourinho.

O vice-presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Marcelo Morales, disse que a entidade perdeu a capacidade de promover uma política nacional de ciência e tecnologia. “Estamos sem lastro: o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) é contingenciado sistematicamente; nosso orçamento foi reduzido ao mínimo e a PEC do Teto dos Gastos inseriu a ciência brasileira em uma camisa de força”, relatou. “Chegamos ao ponto de quase irreversibilidade dos danos causados. Sem uma reversão imediata desse cenário, comprometeremos o futuro do Brasil”, alertou Morales.

Marcha pela Ciência

A Marcha pela Ciência é um movimento mundial em prol da valorização da ciência pelas entidades políticas. Teve início em 2017 após a posse do presidente americano Donald Trump, que impôs cortes orçamentários para Ciência e Tecnologia no país, além de promover ceticismo frente às pesquisas científicas, sobretudo as relacionadas às mudanças climáticas.

“Lamentavelmente, são dois problemas graves que vemos hoje no Congresso Nacional brasileiro”, afirmou o deputado Alessandro Molon (PSB/RJ). “De um lado, os cortes orçamentários para a Ciência, e além disso, lamentavelmente, há também um certo ceticismo diante do conhecimento científico”, considerou o deputado. “Queremos um país que extinga o Ministério de Ciência e Tecnologia ou queremos um país que tenha um Ministério próprio e aposte nisso como estratégia de desenvolvimento nacional?”, questionou Molon.

O evento contou com a participação de entidades como a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Universidade de Brasília (UnB), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), os Ministérios da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), além de deputados como Erika Kokay (PT/DF), Celso Pansera (PT/RJ) e Alice Portugal (PCdoB/BA).

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