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ADUnB debate ciência e tecnologia com embaixadores do BRICS e SBPC

Em atividade inédita, a Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) realizou, na quarta-feira (29), o evento Ciência & Tecnologia nos BRICS, com a presença de embaixadores e representantes dos países que compõem o bloco. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) representou o Brasil. Os convidados discorreram sobre os aspectos estratégicos, os investimentos e o grau de desenvolvimento de cada país no campo da ciência e tecnologia.

Sergey Akopov, embaixador da Rússia, explicou que os principais investimentos do país são nas áreas de Eficiência Energética, Tecnologia da Informação, Energia Nuclear e no desenvolvimento de produtos farmacêuticos. “Aplicamos o correspondente a 3,6% do PIB, e consideramos pouco. Aumentaremos também a verba para educação e pesquisa, que em 2016 atingiu a faixa de U$ 16 bilhões”.

A Índia comporta um dos maiores sistemas educacionais do mundo. Tendo em vista que o novo embaixador da Índia ainda não recebeu o agrément, o país foi representado pelo chefe da chancelaria. Kshitij Tyagi, em tom didático, apresentou programas como o Digital India, que destinou U$ 1,5 bilhão para ampliar o acesso ao wi-fi e à banda larga no país. “O objetivo do governo é construir seis novos Centros de Tecnologia até 2024, além de incrementar as verbas da educação à distância e aprendizado pela web”, pontuou.

Na África do Sul, 0,77% do PIB é destinado à pesquisa e desenvolvimento. Rina-Louise Pretorius, conselheira política do país, disse que a prioridade do governo é o acesso equânime à universidade. “O campo da ciência e tecnologia é importante para o crescimento sustentável, e hoje, com investimentos mobilizados, vislumbramos um impacto positivo na geração de conhecimento e desenvolvimento humano na África do Sul”, afirmou.

O embaixador da China, Li Jinzhang, ressaltou os ótimos resultados de seu país: “Nos últimos quatro anos investimos 4% do PIB em ciência e tecnologia. Em 2016, foram U$ 235 bilhões destinados à pesquisa científica. Na China, são criadas 5 milhões de empresas ao ano”, destacou. “A tecnologia é a arma afiada da China, da qual o país depende para ser forte, as empresas para ganhar e o povo para ter bem-estar”.

Representando o Brasil, Fernanda Sobral, professora da UnB e Conselheira da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), fez um apanhado histórico das estratégias nacionais para o fomento à produção tecnológica e científica e enfatizou os cortes orçamentários no país, que desde 2015 deixou de aplicar R$ 13 bilhões na área.

“O Brasil destina hoje pouco mais de 1% do seu Produto Interno Bruto à ciência e tecnologia. Países mais desenvolvidos investem o dobro, muitas vezes o triplo desse valor. Diante desse déficit, perderemos muito nos próximos anos”, advertiu.

Ao final das exposições, a soprano Tatiana Vanderlei apresentou-se com canções em homenagem aos países do BRICS. A solenidade foi transmitida ao vivo pela UnBTV e pelo Facebook da ADUnB.

CONHECIMENTO SEM CORTES

O evento fez parte da programação da ADUnB em homenagem aos 40 anos da entidade e também da campanha Conhecimento sem Cortes, que une professores universitários, cientistas, estudantes, pesquisadores e técnicos contra a redução dos investimentos federais nas universidades públicas e institutos de pesquisa brasileiros.

“Queremos chamar a atenção da sociedade para a desvalorização da ciência e tecnologia nos últimos anos. Em comparação aos países dos BRICS, percebemos que o Brasil está na contramão do desenvolvimento tecnológico”, disse Virgílio Arraes, presidente da ADUnB.

Ênio Pontes, presidente da Associação dos Docentes das Universidades Federais do Estado do Ceará (ADUFC), destacou o evento como referência nacional. “É muito importante estar aqui e conhecer as perspectivas desses países. Os cortes orçamentários são inadmissíveis”, registrou Pontes.

O presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Pernambuco (ADUFEPE), Augusto Barreto, disse que a universidade sofreu redução de 23% no orçamento e de 50% para a área de ciência e tecnologia. “Estamos participando deste evento para unir forças na campanha Conhecimento sem Cortes e conscientizar a comunidade sobre essas reduções drásticas”, enfatizou Barreto.

A Reitoria da Universidade de Brasília foi convidada a participar do evento, onde teria assento ao lado das embaixadas e da SBPC. Embora a ausência da reitora tenha sido justificada em função de agenda, a entidade, todavia, não enviou representante algum.

ATENÇÃO – As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seus conteúdos. Crédito para textos: Carolina Fasolo ASC/ADUnB. Crédito para foto: Janaína Guimarães ASC/ADUnB.

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