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Saiba como ser amigo(a) de sua voz

O professor faz parte de uma das categorias profissionais que mais se comunicam oralmente durante o trabalho. Todos os dias, fala por várias horas para cerca de 50 ou mais pessoas, frequentemente em um ambiente com interferências externas, o que o leva a forçar cada vez mais a voz. Sem entender os sintomas, muitos levam essas situações até o limite, quando as cordas vocais estão feridas, o que interfere na rotina de trabalho.

 A ADUnB, preocupada com a saúde de seu associado e associada, entrevistou o professor da Universidade de Brasília – Faculdade de Ceilândia (UnB/FCE), Eduardo Magalhães, coordenador-adjunto do Curso de Fonoaudiologia, para falar sobre o Dia Mundial da Voz (16 de abril) e os cuidados que o professor deve ter com sua voz.

 Eduardo Magalhães

Quais os cuidados que o professor deve ter com sua voz?

Eduardo Magalhães – O professor é o profissional de maior risco vocal dentre todas as profissões que utilizam a voz profissionalmente. O professor precisa dar uma atenção especial ao seu instrumento de trabalho, tornando-o eficiente na transmissão da mensagem verbal e vocal.

 Alguns cuidados podem e devem ser tomados no dia a dia desses profissionais:

1 – Beber água e manter uma hidratação constante para permitir um contato suave entre as cordas vocais. A água não passa pelas cordas vocais, portanto, precisamos bebê-la antes de dar aulas e depois, para mantê-las sempre hidratadas;

2 – Evitar falar em tons muito agudos ou muito graves ou fazer vozes muito fortes ou muito fracas, fora de seu padrão de voz habitual, para que não forçar a musculatura das cordas vocais. Como qualquer músculo as cordas vocais podem sofrer lesões e isso vai comprometer o uso dessa voz na sala de aula;

3 – Usar roupas confortáveis que permitam mobilidade ao corpo, principalmente nas regiões da barriga e do pescoço, para garantir mobilidade à laringe (“garganta” ou “caixa da voz”) e que não os façam ficar suados por muito tempo;

4 – Se possível, usar o microfone, que é o melhor amigo do professor, porque reduz a necessidade do aumento de força para falar. Mas precisa se aprender a usar o microfone. Não basta simplesmente ligá-lo e começar a falar, porque qualquer ruído que façamos será amplificado. E, temos de perder essa ideia de que nossa voz é feia no microfone. A voz que ouvimos no microfone é a voz que as pessoas ouvem quando nós falamos;

5 – Evitar pigarrear ou tossir com frequência. A tosse e o pigarro representam um impacto muito forte entre as cordas vocais e podem, no longo prazo, danificar a estrutura das cordas vocais;

6 – Dar atenção especial à rouquidão. Qualquer rouquidão que perdure por mais de 15 dias, precisa ser avaliada por um médico e um fonoaudiólogo, para que se determine se não há comprometimento da estrutura de produção da voz.

Quais os principais sintomas que o professor apresenta em relação aos problemas da voz? O que fazer?

Eduardo Magalhães – Os principais sintomas são a rouquidão e a fadiga ou cansaço vocal para falar. Nestes casos, devemos sempre consultar um fonoaudiólogo para recebermos orientações específicas sobre como se adequar às diferentes demandas vocais que temos, definir sequências de exercícios de aquecimento e desaquecimento da voz e, principalmente, sabermos de onde vêm esses sintomas.

Há exercícios diários que o professor pode fazer para evitar problemas na voz?

Eduardo Magalhães – Os exercícios vocais são customizados à sua necessidade. Então, para que sejam prescritos, há necessidade de se avaliar a pessoa e quais são as demandas vocais a serem atendidas.

 O dia Mundial da Voz é uma iniciativa brasileira?

Eduardo Magalhães- O Dia 16 de abril é o Dia Mundial da Voz, que é uma iniciativa brasileira que se espalhou pelo mundo. Este ano, estamos na 15ª edição da campanha mundial. E, como desde 2005, temos o slogan “Seja amigo da sua voz”, definido pela Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia como o mote das campanhas desde então. Esta campanha tem por objetivo conscientizar a população da importância dos cuidados com a voz e com suas alterações.

Especificamente em Brasília, este ano, já foram realizadas algumas ações, mas elas se entendem até o dia 20/04:

10/04 – Sessão Solene na Câmara dos Deputados em homenagem ao Dia Mundial da Voz, por iniciativa da Dep. Erika Kokay, congregando médicos otorrinolaringologistas e fonoaudiólogos, representados pelos Conselhos de Classe, Sociedades Científicas e Associações Profissionais;

12/04 – Orientações aos professores do GDF na sede da Perícia da SEPLAG;

17/04 – Sessão Solene na Câmara Legislativa do DF em comemoração ao Dia Mundial da Voz, por iniciativa do Dep. Robério Negreiros, congregando fonoaudiólogos e demais profissionais que trabalham com a voz, representados pelos Conselhos de Classe, Sociedades Científicas e Associações Profissionais;

15/04 – Apresentação e orientações para portadores de Parkinson, familiares e cuidadores sobre voz e alimentação. O evento comemora o Dia Mundial do Parkinson e o Dia Mundial da Voz;

17 a 20/04 – Semana da Voz da Escola de Música de Brasília, que discutirá por meio de palestras e oficinas o uso da voz no canto.


ATENÇÃO – As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seus conteúdos. Crédito para textos: ASC/ADUnB. Crédito para fotos: ASC/ADUnB.

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